©2019 por eletroacústica

MÚSICA ELETROACÚSTICA & CINEMA

 
 
 
 
  • Fliblio Ferreira

O QUE É MÚSICA ACUSMÁTICA?

Atualizado: 20 de Nov de 2019




        O termo acusmático, cunhado do grego pelo músico e teórico francês, Pierre Schaeffer, provavelmente evoca o filósofo Pitágoras, que supostamente ensinava por detrás das cortinas e de quem os alunos ouviam apenas a voz (cf. CHION, 2016:xi). Trata-se de uma palavra de origem grega descoberta por Jérôme Peignot e teorizada por Pierre Schaeffer, que significa ouvirmos o som sem a sua causa. A rádio, o telefone ou o disco são por definição mídias acusmáticas, uma vez que não mostram o emissor da fonte sonora. Para Schaeffer, são as novas mídias que introduzem e possibilitam a acusmática. Por sua vez, o compositor François Bayle chamou de música acusmática a música de concerto realizada por meio de suportes de fixação dos sons (como é o caso do gravador) e também escutada por meio de suportes de ausência, ou seja, suportes a partir dos quais não se tem acesso às causas inicias do som e de sua visão (CHION, 2008:61).

      

     Enquanto a escuta direta, em que a fonte causadora do som está presente e visível, seria uma situação mais “natural” de escuta, a situação acusmática seria capaz de mudar o modo como ouvimos. Por meio da escuta acusmática, seríamos capazes de eliminar o contexto em que o som é produzido, focando em uma escuta reduzida2, direcionada às propriedades inerentes do próprio som, agora entendido como objeto sonoro (objet sonore), que independe de sua causa ou significado (cf. CHION,1983:18). Segundo Chion, muito do que ouvimos é na verdade sugestionado pela visão e pelo contexto. Já na escuta acusmática, o auxílio e a interferência da visão daquilo que escutamos está ausente. Sendo assim, o objeto sonoro surge com a dissociação do som de sua imagem causal e o que nos é encorajado a ouvir é na verdade o som em si e não inserido no contexto em que é produzido, mas ele enquanto entidade autônoma e única. Já a eventual curiosidade pelo elemento causal do som pode, por sua vez, ser suprimido com a repetição exaustiva do som, revelando pouco a pouco toda a sua riqueza. Tais repetições sempre revelariam um novo aspecto do objeto ao qual nossa atenção estaria voltada, ou ainda, simplesmente um aspecto criado pelo nosso inconsciente(cf. CHION,1983:18).


   Termo criado por Pierre Schaeffer em 1967, este modo de escuta deliberada e artificialmente abstrai-se de suas causas e de seu significado para que o som seja considerado por si mesmo e não apenas em relação a seus aspectos sensíveis de altura e ritmo, mas também em seu “átomo”, corpo, forma, massa e volume, ou seja, em sua fatura. Como recorte e não como aposto, o conceito é análogo ao da redução fenomenológica, na fenomenologia de Edmund Husserl.


REFERÊNCIAS:


CHION, Michel. Sound: An Acoulogical Treatise. Trad. para o inglês James A. Steintrager. Duke University Press. Durham e London, 2016.

_______________. Sound: An Acoulogical Treatise. Trad. para o inglês James A. Steintrager. Duke University Press. Durham e London, 2016.

______________. Guide des objets sonores: Pierre Schaeffer et la recherche musicale . Bibliothèque de Recherche Musicale. [N.p.]: Buchet-Chastel, Paris, 1983.

Próximos eventos
Música Eletroacústica – Ciclo de Palestras e Concertos
Mon, Apr 06
Biblioteca Pública Municipal de BC
Apr 06, 7:00 PM
Biblioteca Pública Municipal de BC, 3ª Avenida, 1325 - Centro, Balneário Camboriú - SC, 88330-095, Brasil
Compartilhar
Premier do Curta ¨O Porta Malas¨ (Live-Cinema)
Sat, Apr 25
ArtHouse BC
Apr 25, 9:00 PM
ArtHouse BC, R. São Paulo - Estados, Balneário Camboriú - SC, 88337-335, Brasil
Curta-Metragem com Difusão Sonora em 5.1, em Live-Cinema.
Compartilhar
 

ENTRE EM CONTATO