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O QUE É MÚSICA ACUSMÁTICA?

Atualizado: Abr 8

O termo acusmático, cunhado do grego pelo músico e teórico francês, Pierre Schaeffer, provavelmente evoca o filósofo Pitágoras, que supostamente ensinava por detrás das cortinas e de quem os alunos ouviam apenas a voz (cf. CHION, 2016:xi). Trata-se de uma palavra de origem grega descoberta por Jérôme Peignot e teorizada por Pierre Schaeffer, que significa ouvirmos o som sem a sua causa. A rádio, o telefone ou o disco são por definição mídias acusmáticas, uma vez que não mostram o emissor da fonte sonora. Para Schaeffer, são as novas mídias que introduzem e possibilitam a acusmática. Por sua vez, o compositor François Bayle chamou de música acusmática a música de concerto realizada por meio de suportes de fixação dos sons (como é o caso do gravador) e também escutada por meio de suportes de ausência, ou seja, suportes a partir dos quais não se tem acesso às causas inicias do som e de sua visão (CHION, 2008:61). Enquanto a escuta direta, em que a fonte causadora do som está presente e visível, seria uma situação mais “natural” de escuta, a situação acusmática seria capaz de mudar o modo como ouvimos. Por meio da escuta acusmática, seríamos capazes de eliminar o contexto em que o som é produzido, focando em uma escuta reduzida2, direcionada às propriedades inerentes do próprio som, agora entendido como objeto sonoro (objet sonore), que independe de sua causa ou significado (cf. CHION,1983:18). Segundo Chion, muito do que ouvimos é na verdade sugestionado pela visão e pelo contexto. Já na escuta acusmática, o auxílio e a interferência da visão daquilo que escutamos está ausente. Sendo assim, o objeto sonoro surge com a dissociação do som de sua imagem causal e o que nos é encorajado a ouvir é na verdade o som em si e não inserido no contexto em que é produzido, mas ele enquanto entidade autônoma e única. Já a eventual curiosidade pelo elemento causal do som pode, por sua vez, ser suprimido com a repetição exaustiva do som, revelando pouco a pouco toda a sua riqueza. Tais repetições sempre revelariam um novo aspecto do objeto ao qual nossa atenção estaria voltada, ou ainda, simplesmente um aspecto criado pelo nosso inconsciente(cf. CHION,1983:18). Termo criado por Pierre Schaeffer em 1967, este modo de escuta deliberada e artificialmente abstrai-se de suas causas e de seu significado para que o som seja considerado por si mesmo e não apenas em relação a seus aspectos sensíveis de altura e ritmo, mas também em seu “átomo”, corpo, forma, massa e volume, ou seja, em sua fatura. Como recorte e não como aposto, o conceito é análogo ao da redução fenomenológica, na fenomenologia de Edmund Husserl. REFERÊNCIAS: CHION, Michel. Sound: An Acoulogical Treatise. Trad. para o inglês James A. Steintrager. Duke University Press. Durham e London, 2016. _______________. Sound: An Acoulogical Treatise. Trad. para o inglês James A. Steintrager. Duke University Press. Durham e London, 2016. ______________. Guide des objets sonores: Pierre Schaeffer et la recherche musicale . Bibliothèque de Recherche Musicale. [N.p.]: Buchet-Chastel, Paris, 1983.


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